Obrigada

E ela sentou-se no cadeirão que ficava no alpendre vendo a chuva caindo lentamente sobre a relva verde e fresca.

Estava um dia com alguma chuva mas a sua alma brilhava e ardia incenssantemente. 

Então, pegou em uma caneta e um papel e escreveu o que lhe ia na alma, procurando aproveitar cada gosto de cada momento passado, para que um dia ao ler, lhe tragam as lembranças mais doces e sinceras que viveu. Porque nesta vida tudo é realmente efêmero e nada do que possamos ter vivido ou experienciado nos podem retirar. De repente, um raio de sol envergonhado, conseguiu fugir por entre as nuvens e seguiu o seu caminho batendo-lhe no rosto, como em forma de cumprimento. Ela fechou os olhos. Primeiro por reflexo, depois por prazer. Dizem que quando fechamos os olhos conseguimos realmente sentir com maior intensidade o momento.

E foi o que ela fez. Depois, dos seus lábios saíram um leve sussurro dizendo : 

- Obrigada.

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