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A mostrar mensagens de novembro, 2019

Cicatrizes

- Então, conta lá o que é que te doi? - Dói olhar-te e não poder ver-te, dói tocar-te e não te poder sentir, dói falar-te e não me ouvires, dói a incerteza do amanhã, doem-me as cicatrizes de um passado quase presente e tão profundamente palpável, onde a fragmentação do Eu superior é gritante. Onde o pensamento é delinquente e insanamente negro, em um mundo que é só meu, fragmentado á minha maneira. Onde a alma anseia por atenção e melhor. O meu corpo. Um veículo. Minha mente uma provação. Esperando encontrar um mundo encantado todos os dias, onde haja algo que valha a pena lutar. Não sei como me vês. Não sei sequer, se eu própria me vejo... E ela deixou-lhe um rasto de dúvida no pensamento, enquanto corria para bem longe dele. Era um dia de outono, o vento soprava fraco e esvoaçava-lhes os cabelos e pelos lábios, ela podia sentir o gosto salgado das lágrimas ainda húmidas, escorrendo-lhe pela face. Era o fim para ela. O ponto final.  Ele ainda não sabia o que procurava. ...

A carta

As palavras que ele lhe escreveu antes de partir ficaram para sempre cravadas naquele pedaço de papel amassado que ela trazia sempre consigo. Todos os dias ela o abria religiosamente. Era o seu mantra. Era o que lhe dava alento para seguir em frente. "Olá meu amor. Seja dia ou noite na luz do sol ou na escuridão da noite, ao olhares para cima, respira. Eu serei a brisa que corre e te afaga os cabelos, serei o oxigénio que te enche os pulmões de ar puro e serei o chão por onde caminhares todos os dias. Na noite, quando e se sentires um aperto no peito, vai até á janela e olha para os céus, se olhares bem, por cada pontinho brilhante que conseguires ver, foi a quantidade de sorrisos que me provocaste por te ter tido a meu lado uma vida inteira." Fechou novamente o pedaço de papel que já estava completamente vincado e amassado e adormeceu na esperança que nos seus sonhos o pudesse ter novamente.

Banho de alma

Agarraste-me a mão, senti o calor dos teus dedos nas minhas mãos frias. Um toque sublime e arrepiante. Senti medo. Nunca um toque fez-me sentir tão impotente, tão tudo. Num olhar penetrante e profundo viste-me alma. E nesse instante eu percebi... Tu brilhas e quando não brilhas, iluminas. És o caminho. És uma lufada de ar fresco. És aquele cheiro de chuva. És a caneca de café quentinho num dia frio de inverno. És o lugar para onde eu quero voltar, sempre. O abraço e os braços á minha volta que me confortam. O sorriso rasgado que me provocas.  És a lua cheia numa noite estrelada. És a última fatia do meu bolo preferido. És luz. A minha luz. O meu porto. O meu destino. A minha paz. A minha vida.