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Cicatrizes

- Então, conta lá o que é que te doi? - Dói olhar-te e não poder ver-te, dói tocar-te e não te poder sentir, dói falar-te e não me ouvires, dói a incerteza do amanhã, doem-me as cicatrizes de um passado quase presente e tão profundamente palpável, onde a fragmentação do Eu superior é gritante. Onde o pensamento é delinquente e insanamente negro, em um mundo que é só meu, fragmentado á minha maneira. Onde a alma anseia por atenção e melhor. O meu corpo. Um veículo. Minha mente uma provação. Esperando encontrar um mundo encantado todos os dias, onde haja algo que valha a pena lutar. Não sei como me vês. Não sei sequer, se eu própria me vejo... E ela deixou-lhe um rasto de dúvida no pensamento, enquanto corria para bem longe dele. Era um dia de outono, o vento soprava fraco e esvoaçava-lhes os cabelos e pelos lábios, ela podia sentir o gosto salgado das lágrimas ainda húmidas, escorrendo-lhe pela face. Era o fim para ela. O ponto final.  Ele ainda não sabia o que procurava. ...

A carta

As palavras que ele lhe escreveu antes de partir ficaram para sempre cravadas naquele pedaço de papel amassado que ela trazia sempre consigo. Todos os dias ela o abria religiosamente. Era o seu mantra. Era o que lhe dava alento para seguir em frente. "Olá meu amor. Seja dia ou noite na luz do sol ou na escuridão da noite, ao olhares para cima, respira. Eu serei a brisa que corre e te afaga os cabelos, serei o oxigénio que te enche os pulmões de ar puro e serei o chão por onde caminhares todos os dias. Na noite, quando e se sentires um aperto no peito, vai até á janela e olha para os céus, se olhares bem, por cada pontinho brilhante que conseguires ver, foi a quantidade de sorrisos que me provocaste por te ter tido a meu lado uma vida inteira." Fechou novamente o pedaço de papel que já estava completamente vincado e amassado e adormeceu na esperança que nos seus sonhos o pudesse ter novamente.

Banho de alma

Agarraste-me a mão, senti o calor dos teus dedos nas minhas mãos frias. Um toque sublime e arrepiante. Senti medo. Nunca um toque fez-me sentir tão impotente, tão tudo. Num olhar penetrante e profundo viste-me alma. E nesse instante eu percebi... Tu brilhas e quando não brilhas, iluminas. És o caminho. És uma lufada de ar fresco. És aquele cheiro de chuva. És a caneca de café quentinho num dia frio de inverno. És o lugar para onde eu quero voltar, sempre. O abraço e os braços á minha volta que me confortam. O sorriso rasgado que me provocas.  És a lua cheia numa noite estrelada. És a última fatia do meu bolo preferido. És luz. A minha luz. O meu porto. O meu destino. A minha paz. A minha vida.  

Os olhos, o nariz e a boca :-)

Imagem
Ela precisa de ajuda para brilhar. Todos precisamos de alguém em algum determinado momento. Ela tem dois olhos um nariz e uma boca a sorrir.  Tal como aqueles bonequinhos de emoji. J Ela foi piada interna durante anos. Há quem diga que nunca ninguém lá pisou. Ela tem quatro fases. Completa o seu ciclo estando cheia e cumprimenta todos os dias os seus vizinhos brilhantes ao nascer. De quando em vez, alguns deles desmaiam com sua beleza natural e mancham a pintura negra num rasto cintilante, outras vezes, bloqueiam-na com bolas fofinhas que mais parecem algodão doce. Mas no final, ela continua sempre lá erguida, e está sorrindo. SEMPRE.

Elixir

E lá estava ela, sentada junto á janela. O dia estava cinzento e tinha aquele cheiro a terra molhada. Uma gota de chuva salpicou-lhe para os olhos e quebrou-lhes os pensamentos e naquele breve instante, voltou novamente ao presente. Pedis-te-me que te tirasse toda essa dor que te corroía por dentro. Pediste que te levasse embora todo esse sofrimento, que te lavasse a alma, pedis-te-me que te levasse embora o medo. Disse-te que não podia te levar o medo, nem o sofrimento, nem a dor mas que tinha algo que poderia amparar essa queda durante uns segundos, uns minutos, horas ou simplesmente o tempo que precisasses. Uma lavagem de alma. Perguntaste-me de que se tratava, eu, abracei-te...

Mundos Paralelos

O sol amarelo põe-se, de repente, aparecem todas as mais estranhas criaturas noturnas, barulhos infindáveis passam por mim. Fico com medo, está muito escuro. Na verdade, não é do escuro que eu tenho medo, mas sim de ver com os meus próprios olhos o que fui e o que realmente sou. Continuo o caminho. Este lugar é mágico e a acumulação estática é grande. É entre o pôr do sol e o cair da noite que a porta está aberta, um portal magnético que faz a ligação entre os dois mundos. Me concentro em toda a minha energia. Já não sei ao certo a qual dos dois mundos pertenço. Não sei se consigo aceitar que neste sou tua ex-mulher e és casado novamente e que mesmo assim, continuamos a amar-nos um ao outro num silêncio que por si só é palpável e que no outro sou tua por completo, mas que simplesmente ainda não encontraram o meu corpo. Respiro fundo...

Renascer

- Sabes, eu não consigo ser como tu. - Ser como eu, como? - Ser assim... despreocupado. Pensando que o mundo todo tem o melhor para dar. Que toda a gente demonstra o melhor de si. - Eu não vivo despreocupado. Fico sempre aflito sempre que te vais embora. Mas se, por uma vez na tua vida, não abrires as tuas asas, nunca verás para além do agora. - É difícil. - Muito. Quando te olhas ao espelho a imagem que reflete é aquela que vêem de ti. É aquela que tentas, tão afincadamente demonstrar. Não precisas de andar com o Mundo às costas. Para começar, precisas de ter paz com quem está do outro lado da imagem reflectida. - E, fazes isso como, se tudo conspira sobre ti? - Não se trata de fazer por que tem de ser. Mas sim, porque queres que seja. Se nunca quiseres, nunca irá mudar. O que interessa é o que sentes. Todos temos um caminho. Temos escolhas. O bom senso e a aprendizagem do momento, faz- nos agir da maneira certa ou errada. - Não sei se percebi bem. - Não tens de perceber. T...

Nada que é tudo

Tudo em mim arde.  O a seguir torna-se no depois e o depois no nunca mais. E se eu precisar desse ar para respirar, asfixio-me no vazio. Porque neste momento, nada é tudo e tudo é nada. E se de nada eu tiver e precisar, mais nada eu terei. O que é o teu tudo, afinal? Trazes contigo a paz interior que precisas? Que sonhos queres realizar hoje? Eu, só preciso de respirar. Que o teu tudo se transforme em toda a luz que precisas e que essa luz te salve de todo o teu nada.

Onde o para sempre estiver

Procuro-te a cada passo que dou. Olho em cada rosto na esperança que esse seja o teu. Tenho tanto para te contar e no fundo não tenho nada para te dizer. A tua presença basta-me, mesmo que não me digas nada. Basta-me um sorriso. Um abraço apertado. E quase me esqueço de tudo o resto. Perco-me nas horas. Nos dias. O tempo torna-se demasiado curto. As palavras, as frases, as conversas tornam-se demasiado importantes. Quando tens a certeza de tudo o resto e mesmo assim nada é certo. Quando faltam-te as palavras mas um gesto é o suficiente. Quando precisas que algo te arrebata e te percas sem do mesmo lugar sair. És tu. Meu lugar és tu. Olhaste-me nos olhos e conseguiste ver-me a alma. Passaste por entre mim como um feixe de luz. Não era suposto! Mas já não importa. Já não tem volta! Liberto-me da pressão que criei. Deixo-me levar. Vou contigo. Vamos de mãos dadas, até onde o para sempre estiver.

Serenidade

E tu choraste. Choraste porque não acreditaste no que o espelho refletia do outro lado. A face que todo o mundo vê e tu não. Choraste porque perdeste quase metade da tua vida a tentar agradar, porque pensaste que era normal sentir culpa.  Porque por muitas vezes o amor próprio não foi suficiente para te fazer amar mais e sofrer menos. Olhaste novamente ao espelho e estavas irreconhecível. Não por fora. Mas por dentro. Teu olhar era outro. Era de esperança. Era admiração. Era de resiliência. De desapego. Desapego da toxicidade. De pessoas que não valem o teu tempo. De problemas que não são  teus. De pensamentos negativos. Da ansiedade do amanhã. Neste momento estás respirando. E é este momento que interessa. E era isso que o espelho transmitia. Serenidade plena. A hora tinha finalmente chegado. E tu, mais do que qualquer pessoa ansiava pelo momento em que a liberdade fosse maior que tudo e qualquer coisa.  As frustrações caíram. Iluminaste e renovaste. Finalmente.