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Recomeço

Se fores água, que sejas límpida. Se fores vento, que sejas aquela brisa fresca numa tarde de verão, que refresca corpo e mente. Se fores chuva, chove e liberta-te de toda a angústia e frustrações que carregaste ao longo dos tempos.  Se fores mar, dança ao som de cada onda à procura do que te faz falta. Mas se fores sol, lembra-te que irás nascer todos os dias e que todos os dias terás um novo recomeço para que possas brilhar por todo o mundo e mais além. 🍀

Tudo o que tenho

Eu habito no privilégio que tenho. Poucos são os que entendem. Muitos, são os que lhe chamam loucura. A alma, vai gritando de aflição por um combustível já extinto, mas que ainda assim, súplica para queimar. O que me afoga não é a loucura, é parar.  Muitos são os que olham e não vêem. Trago em mim todas as perguntas do mundo a um espelho que reflete apenas uma imagem. "A" imagem, essa... eu carrego comigo e com a verdade. O que eu fui, já não conheço. Restam cinzas de um passado perdoado, que com um sopro, se perde no tempo e reergue-se por momentos numa memória por segundos, esquecida.  - Quem sou eu?  - Eu, sou tudo o que tenho.

Marcas

E essas marcas que me atormentam, Permanecem para que eu não me esqueça, E se eu me esquecer, ainda me sinto? Ou será de mim que me esqueço?  Não conheço outro tempo nem lugar, Mas pertenço a outro Mundo, Às vezes sinto-me a despertar, De um sono pleno e profundo. Percorro as estradas da vida, Na esperança de conseguir encontrar, A cura para uma alma perdida, O som do despertar. Neste Mundo mal amado, Trago a saudade carregada ao peito, Cheio de lembranças de um passado, Na prática, quase desfeito. Os dias passados com aflição, Perdem razão de o ser, Há antídoto para salvar este coração, E o segredo foi realmente me conhecer.

Brilho

 O brilho perdeu-se.  Esquivou-se de ventos e tempestades, não quis saber das fúrias e lamúrias de todos aqueles que encontrava por cada caminho onde passava. A cada passo dado, uma batalha e assim lutava todos os dias. De noite, contava as estrelas e pedia-lhes que o guiassem e lhe trouxessem um pouco de sua luz. Já cansado e sem norte, encostou-se nas montanhas mais altas que encontrou. Já nada lhe fazia sentido. Pelo menos, era o que ele pensava. Ele só não sabia que de longe, alguém o observava contemplando a mais linda e poderosa paisagem que alguma vez poderam sequer imaginar.  Por vezes, as coisas de perto podem não estar como queremos mas se nos afastarmos um pouco, teremos outra perspectiva uma outra realidade. O importante, é darmos as mãos à coragem e não perdermos a esperança num amanhã melhor.

Órion

 Na ceia de Natal das estrelas... Sirius: Ei, Betelgeuse já viste a lua?  Betelgeuse: Ouvi só dizer que mingou. Sirius: Pois. É isso. Então e sabes porquê? Betelgeuse: Não muito bem. Parece-me que precisava de espaço. Orion inteiro falou sobre isso. Até Pleiades... Podes sempre perguntar. Sirius: Eu não vou perguntar coisa nenhuma.  Terra: É verdade isto que andam falando sobre ti, Lua?  Lua: É sim! Isto é de fases, sabes?  Terra: Já não basta o quanto te afastas de mim todos os anos? Lua: Estava demasiado cheia. Decidi, respirar um pouco. Tirando a parte quando os teus humanos atiraram mais um "transformer" para os espaço sideral, isto aqui até tem estado tranquilo. Terra: Estás falando do telescópio James Webb? Lua: Isso. Dizem por aí que juntar-se-á ao Hubble. Daqui, já não o consigo avistar.  Terra: E porquê que mingaste, exatamente? Lua: Relaxa! Isto é um ciclo. Todos temos. Daqui a dias já estou nova. (...)

Encontra-me

Anda. Encontra-me.  Traz-me aquele velho hábito de viver o tempo presente sem que eu esteja ausente, demorando-me e respirando tranquilamente num alívio só meu.  Alia-te à coragem, dando as costas ao medo e segue. As coisas são breves. A vida é breve. Vivemos todos na inconstância do que fizemos e do que ainda vamos fazer.  Abraça, mas não sufoques.  Dá! Sem que te peçam. Porque nada do que for cobrado tem o verdadeiro valor.   Cuida dos teus sonhos, são por causa deles que respiras.  E lembra-te que apesar da escuridão, é lá que todas as estrelas podem brilhar. 

Obrigada

E ela sentou-se no cadeirão que ficava no alpendre vendo a chuva caindo lentamente sobre a relva verde e fresca. Estava um dia com alguma chuva mas a sua alma brilhava e ardia incenssantemente.  Então, pegou em uma caneta e um papel e escreveu o que lhe ia na alma, procurando aproveitar cada gosto de cada momento passado, para que um dia ao ler, lhe tragam as lembranças mais doces e sinceras que viveu. Porque nesta vida tudo é realmente efêmero e nada do que possamos ter vivido ou experienciado nos podem retirar. De repente, um raio de sol envergonhado, conseguiu fugir por entre as nuvens e seguiu o seu caminho batendo-lhe no rosto, como em forma de cumprimento. Ela fechou os olhos. Primeiro por reflexo, depois por prazer. Dizem que quando fechamos os olhos conseguimos realmente sentir com maior intensidade o momento. E foi o que ela fez. Depois, dos seus lábios saíram um leve sussurro dizendo :  - Obrigada.

Pilar

Sou pilar mas também vergo. Sinto dores e também choro.  Sou a força que me acalma que me aconselha e que me ampara. Eu sou forte, mas sensível. Eu sou o poder que me transborda sempre para a superfície. Vivo na resiliência do que acontece e não se pode mudar.  Sou a luz que me acende o coração para (sobre)viver, um dia de cada vez. Sou o respeito que me tenho para saber quando parar.  Sou um turbilhão de pensamentos por vezes, obscuros.  Sou, por vezes preto e branco. Sou, por vezes à flor da pele.  Sou quem eu tiver de ser com quem devo de ser.   Sou eu.  E isso basta-me.