Cicatrizes

- Então, conta lá o que é que te doi?
- Dói olhar-te e não poder ver-te, dói tocar-te e não te poder sentir, dói falar-te e não me ouvires, dói a incerteza do amanhã, doem-me as cicatrizes de um passado quase presente e tão profundamente palpável, onde a fragmentação do Eu superior é gritante. Onde o pensamento é delinquente e insanamente negro, em um mundo que é só meu, fragmentado á minha maneira. Onde a alma anseia por atenção e melhor. O meu corpo. Um veículo. Minha mente uma provação.
Esperando encontrar um mundo encantado todos os dias, onde haja algo que valha a pena lutar.
Não sei como me vês. Não sei sequer, se eu própria me vejo...

E ela deixou-lhe um rasto de dúvida no pensamento, enquanto corria para bem longe dele. Era um dia de outono, o vento soprava fraco e esvoaçava-lhes os cabelos e pelos lábios, ela podia sentir o gosto salgado das lágrimas ainda húmidas, escorrendo-lhe pela face. Era o fim para ela. O ponto final. 
Ele ainda não sabia o que procurava. Ela não sabia o que já tinha finalmente encontrado...

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